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  Entrevista com Fernando Bonassi

Mini-Biografia: Fernando Bonassi, 43, é paulistano, cineasta, dramaturgo, escritor e roteirista, autor de 19 livros, entre eles: Corpos: Contos Eróticos - Ed. Limiar; A Incrível História de Naldinho - um Bandidão ou um Anjinho - Ed. Geração, O Amor é uma Dor Feliz - Ed. Moderna; Por um Beijo - Ed. FTD, entre outros. Colunista da Folha de S.Paulo, roteirista de filmes consagrados, como: Estação Carandiru de Hector Babenco, Cabra-Cega de Toni Venturi, Os Matadores, Castelo Rá Tim Bum e Cazuza - O Tempo Não Pára de Sandra Werneck e Walter Carvalho, além de roteiros para programas de TV, como "Castelo RÁ TIM BUM" e "Mundo da Lua", e várias peças de teatro, destacando Woyzeck desmembrado - consagrando o retorno da parceria feita anteriormente com o excelente ator Matheus Nachtergaele.


* Primeiramente, devo frisar que Fernando Bonassi é um dos meus ídolos, o seu trabalho é uma inspiração para os meus, o qual, acredito que muitos roteiristas, cineastas, dramaturgos, escritores e simpatizantes da sétima arte, deveriam seguir. Símbolo de irreverência e originalidade, mostra-se como um grande cidadão participativo em nossa sociedade. Agradeço ao Fernando a gentileza e presteza em sua pronta resposta.


 


ENTREVISTA


Ademir: No seu ponto de vista, o que é ser um bom roteirista?


Fernando: Aquele que tem fértil imaginação visual e boa capacidade de descrevê-la em palavras.


Ademir: Você acredita que existiu uma melhora no cinema nacional? Se sim, em quais quesitos?


Fernando: Sim e nos roteiros, pois a legislação de incentivo fiscal exige um roteiro pronto, o que deu consistência a minha profissão.


Ademir: Existiu algum filme nacional ou internacional que mexeu com você ? Se sim, qual e por quê?


Fernando: Hiroshima Meu Amor, de Alain Resnais, pois me parece um filme cuja essência só pode ser obtida nas imagens, é um filme maior que as palavras. Pra mim, como roteirista, é um filme inatingível.


Ademir: Como foi a experiência na penitenciária do Carandiru como roteirista do longa "Estação Carandiru" de Hector Babenco?


Fernando: Conhecer em detalhes um mundo cultural totalmente novo, triste e desolado, o que sempre me inspirou.


Ademir: Para ser um bom roteirista ou diretor, é preciso fazer muitos curtas-metragens antes do longa-metragem?


Fernando: Não. É preciso apenas ser criativo, ousado e ter boa saúde.


Ademir: Você acha melhor trabalhar em dupla na criação de um roteiro? Por quê?


Fernando: Porque é sempre o encontro de duas inteligências que possibilita a melhor síntese nos diálogos.


Ademir: Como anda a criatividade dos roteiros no cinema mundial? Houve alguma melhora?


Fernando: Criatividade e ousadia está nas imagens produzidas para a internet. O cinema como meio, perdeu o bonde da inventividade.


Ademir: Você acha que o roteirista pode ser também o diretor de um filme, seguindo ao pé da letra o roteiro, ou isso não dá certo?


Fernando: É sempre bom ter alguém pra debater as idéias e o roteirista é esse profissional para o diretor. Não que seja imprescindível. Godard, cineasta do meu coração, não perdia muito tempo roteirizando.


Ademir: Até que ponto um crítico de cinema pode interferir no sucesso de um filme? Por que será que na maioria das vezes, eles são ranzinzas e amargos em suas críticas?


Fernando: A gente não cria pros críticos. Não tenho opinião sobre essa profissão.


Ademir: O que é preciso para o Brasileiro acessar mais o cinema, teatro ou museu em nosso país? Falta incentivo?


Fernando: Falta salário decente, distribuição de renda verdadeira e não esmola de programa social.


Ademir: Você também é autor de vários livros e, qual foi a sua primeira criação, livros ou roteiros?


Fernando: Livros. Roteiros eu faço por dinheiro.


Ademir: Como autor de vários livros, por que você acha que o brasileiro lê tão pouco se comparado aos outros países?


Fernando: Porque a escola no Brasil é chata e burocrática como o judiciário e a política de um modo geral.


Ademir: Poderia fazer um breve comentário sobre o seu trabalho no teatro?


Fernando: Teatro é o lugar feliz onde encontro um grupo disposto a enlouquecer junto.


Ademir: Está trabalhando atualmente em algum roteiro?


Fernando: Sim, numa minissérie pro canal HBO latino américa e Gullane Filmes, cujo conteúdo ainda é sigiloso.



* Crédito da Foto: Anderson Schneider


Por Ademir Pascale - Crítico de Cinema - ademir@cranik.com


Originalmente publicada no seguinte endereço:


http://www.cranik.com/entrevista53.html


 

 
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