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  Entrevista com Pablo Villaça


Pablo Villça é crítico de cinema, e professor do curso de crítica cinematográfica

Crítico de Cinema desde 1994. Colaborou com publicações nacionais como MovieStar, Sci-Fi News, Sci-Fi Cinema, Replicante e atualmente faz parte do “Ponto Crítico” da revista SET. Em 2002, tornou-se o único crítico brasileiro (e de língua portuguesa) a fazer parte da prestigiada OFCS, associação internacional de críticos sediada em Nova York. Publicou colunas em inglês no site Hollywood Elsewhere e atualmente colabora com o renomado Movie City News, além de ser o único brasileiro a ser citado pelo Rotten Tomatoes, o mais famoso portal de críticas da Internet. Em 2005, publicou seu primeiro livro, O Cinema Além das Montanhas, uma biografia do cineasta Helvécio Ratton. Em 2001, venceu o prêmio teatral SESC-SATED de Melhor Texto Adaptado. Também foi apresentador e roteirista do programa Cinema em Cena que foi ao ar durante dois anos pela TV Horizonte. Atualmente, além de editor do Cinema em Cena (o qual criou em 1997), é também professor de Linguagem e Crítica Cinematográficas da Escola Livre de Cinema.


1) Quais os principais elementos que você leva em consideração para desenvolver a crítica?      


A eficácia do filme em cumprir sua própria proposta com um mínimo de inteligência e refinamento. Isto envolve analisar as opções narrativas do filme, sua lógica visual e seu ritmo. 


2) O gosto pessoal influencia muito na avaliação da crítica?


Inevitavelmente, embora, com o tempo, o bom crítico aprenda a valorizar os méritos de uma produção mesmo que esta não o interesse pessoalmente em função de critérios subjetivos (e o oposto também se aplica: torna-se possível perceber as falhas de um trabalho que, de modo geral, agradaria apenas por refletir os gostos pessoais do crítico). 


3) Como é o campo de trabalho para o crítico iniciante?


Se nos dias de hoje a facilidade em conseguir publicar os textos é bem maior em função das ferramentas disponibilizadas na Internet, a dificuldade em conseguir um público continua a ser grande. Da mesma maneira, conseguir ser remunerado(a) pelo trabalho não é tarefa fácil para o iniciante, que ainda precisa perseverar para encontrar a própria "voz".


4) Quais as qualidades que um crítico precisa ter para crescer profissionalmente? 


Curiosidade intelectual, apreciar a leitura e, é claro, ter amor incondicional pelo Cinema. 


5) Quais críticos você admira pelo trabalho? 


Pauline Kael, James Agee, Vincent Canby, Roger Ebert, A.O. Scott e Luiz Carlos Merten. 


6) Como você vê o boom de blogs sobre cinema? 


Por um lado, é maravilhoso ver o Cinema ser pensado e discutido de maneira tão intensa e democrática. Por outro, é preocupante perceber que muitos confundem "gostar de Cinema" com "pensar Cinema". Em outras palavras: ver todos os blockbusters lançados não é o suficiente para ser um crítico. 


7) A crítica pode ajudar ou prejudicar a bilheteria de um filme? 


A influência comercial da crítica é inversamente proporcional ao orçamento do filme analisado: quanto menor o orçamento, maior a importância da crítica em ajudá-lo a encontrar seu público. Já as superproduções de Hollywood são virtualmente intocáveis. 


8) Qual a grande diferença entre a crítica impressa e a de internet? 


O espaço ilimitado para a elaboração da análise (o que pode ser uma benção ou uma maldição, dependendo do autor do texto) e o tom mais informal que a crítica pode assumir na Internet. 


9) Você poderia apontar alguns dos principais "erros" que o iniciante e o aspirante a crítico comete? 


Acreditar que orçamento e bilheteria merecem espaço numa crítica; achar que "ser divertido" é o bastante para qualquer produção; e usar a expressão "desligue o cérebro" para tentar recomendar um filme que não merece esta distinção.


10) Como foi sua trajetória para se tornar um crítico?


Minha curiosidade sobre Cinema surgiu quando ainda era moleque, quando não perdia uma Sessão da Tarde sequer (e, naturalmente, Jerry Lewis logo se tornou uma referência para mim). Assim, quando compramos nosso primeiro videocassete (um Sharp imenso, prateado, com controle remoto com fio), mergulhei de vez nesta arte maravilhosa, aproveitando a oportunidade oferecida pelo extinto Video Clube do Brasil, que permitia a locação de quantos filmes o sócio conseguisse assistir por mês (cobrando apenas uma mensalidade). A partir daí, nasceu minha curiosidade sobre técnicas cinematográficas, linguagem e teoria - e, ainda adolescente, passei a devorar qualquer livro sobre estes temas que encontrasse. Em 1994, assumi a criação e coordenação das áreas de Cinema de praticamente todos os BBS (Bulletn Board System, na era pré-Internet no Brasil) de Belo Horizonte e passei a publicar meus primeiros textos críticos nestes espaços. Finalmente, em 1997, fundei o Cinema em Cena e, dois anos depois, decidi largar o curso de Medicina (estava no sétimo período da UFMG) com o objetivo de me dedicar exclusivamente ao site. E aqui estamos.


 


 



Autor: Marcos Takeda
 
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